RTP (Rádio e Televisão de Portugal) no Porto e outras experiências portuguesas

Por Adriana Coca | 12 Jan 2020

Um open day em comemoração aos 60 anos da RTP no Porto.

No dia 24 de outubro de 2019, realizei uma Visita Técnica à sede da RTP no Porto, por conta da comemoração dos 60 anos do canal. Na ocasião, um grupo de pessoas, previamente inscritas pelo site oficial da RTP, participou de um open day pelas instalações da emissora.

A sede da RTP no Porto, na verdade, fica em Vila Nova de Gaia, no Monte da Virgem.

Lá, visitamos todos os departamentos de produção, as redações, os estúdios da Rádio Antena 1 e da RTP. Acompanhamos à exibição em direto (ao vivo) do Programa Praça da Alegria, em um estúdio belíssimo com mais de 300 metros quadrados de muita história, além de conhecer também os bastidores dos programas jornalísticos. No horário da visita estava no ar o 3 às 11 Notícias, apresentado por Cristiana Freitas, adentrarmos o estúdio e depois fomos à switcher (sala de comando/ controle, onde são colocados os programas de TV no ar e/ou editados durante as gravações) e observamos de perto a atuação da equipe técnica (foto de capa deste post).

A RTP no Porto é responsável por uma parte significativa dos conteúdos de entretenimento e jornalismo de todos os canais da RTP, que são as Rádios: Antena, 1, 2 e 3, às televisões RTP 1, 2, 3, África e Internacional. Sem dúvida, um dos mais importantes centros de comunicação do Norte de Portugal. Uma história que foi contada por décadas e está registrada no livro - RTP. 60 anos no Porto – lançado por conta do aniversário do canal em uma parceria entre a RTP e investigadores do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, um resgate pela memória da importância desse centro de produção do Norte do país.

Durante nossa visita à RTP no Porto me chamou a atenção a recepção afetuosa. O grupo era muito diverso com pessoas de todas as idades e interesses e podíamos “invadir” os recintos, mesmo com os programas no ar e, ainda assim, fomos muito bem recebidos pelos profissionais, que queriam nos mostrar os bastidores e contar como tudo funciona. Tínhamos uma guia orientando o grupo e nos conduzindo em cada etapa. Confesso que considerei uma atitude muito acolhedora, penso que jamais com um programa ao vivo (em direto) no ar, nos meus melhores tempos de telejornalismo, eu teria permitido visitas dessa ordem, até mesmo se fosse apenas a gravação de um programa.

Fiquei a pensar que essas situações também me mostram o como os portugueses podem ser gentis (quando querem) e como me parecem, a cada dia, mais contraditórios. Talvez todos os povos sejam. Por um lado estou feliz com a minha experiência de vida à portuguesa, porque vivo em um ritmo poucas vezes experimentado na minha existência, tudo cadenciado com mais lentidão, por outro, cotidianamente essa calmaria é abruptamente interrompida por uma ansiedade avassaladora pelas pequenas insatisfações alheias, por aqui as pessoas discutem por causa do lugar na fila do caixa no supermercado, na padaria, no ônibus, ouço reclamações sobre os turistas, sobre os brasileiros. É um humor duvidoso.

Como moro na freguesia (bairro) da Foz do Douro, vivo em uma região com muitos turistas e toda semana pego um ônibus (500) que saí do centro do Porto e vai até Matosinhos, cidade vizinha, o trajeto não demora mais que 20 minutos, vai contornando o Douro (Rio Douro) e, até que alguém comece a resmungar do meu lado, tenho a sensação que estou a passeio. Por vezes, esqueço que minha missão nesse momento é me dedicar integralmente à pesquisa, em geral, esse esquecimento é ligeiro, porque meu supervisor é um autêntico português, afável na mesma medida que racional, por vezes, de uma frieza congelante. E, por falar em congelar, outra questão que ronda os meus dias, sobretudo as minhas madrugadas e manhãs, é: Por que as pessoas insistem em dizer que podemos viajar para Portugal em qualquer época do ano, já que o clima é sempre agradável? Hoje, às 9h da manhã, o termômetro registrava 3 graus com a sensação térmica de “sabe-se lá Deus”. Entendo que cada um tem relações diferentes com o tempo e cada ser mora em lugares com comportamentos atmosféricos distintos, agora, me convencer (na minha brasileirice) que isso é agradável, não é possível.

Estou no Porto para cursar um pós-doutorado (doutoramento) e vim para ficar um ano, de junho de 2019 a maio de 2020, ou  seja, estou em terras lusitanas há 7 meses, às vezes, penso que me adaptei rápido a algumas rotinas e sensações, mas pensando melhor, percebo que não. Ainda que tenha consciência que a experiência é enriquecedora, no amadurecimento pessoal e para a minha pesquisa sobre televisão também.

Nesse momento, escrevo sobre as webséries da RTP, que como sabem é um serviço público de mídia. Essas produções são selecionadas e produzidas pelo RTPLab, que me parece uma experiência incrível, quando penso nas iniciativas que repensam os modos de atuação da televisão aberta, generalista. O RTPLab foi criado para dar vida a programas de humor e ficção seriada para as mais diferentes plataformas digitais, foi aberta uma seleção para toda a gente e algumas histórias interativas foram produzidas e “colocadas no ar”, na verdade, disponibilizadas no Youtube e via aplicativos (aplicações). O resultado pode ser visto pelo RTPPlay, onde encontramos disponíveis todas os programas da emissora (https://www.rtp.pt/play/).

Essa produção inova na produção e distribuição de conteúdo, mas também em relação aos formatos de narrativas ficcionais e, ainda, é muito promissora porque dialoga com o público mais jovem, por conta da abordagem temática dessas webséries, sobre isso estou a pesquisar e escrever desesperadamente (pero no mucho, já que não desenvolvi (ainda) a habilidade de digitar com luvas) e farei um post mais detalhado nos próximos dias, também já está em fase final um artigo sobre o tema.

Beijinhos do Porto.